A nova sede do Sebrae em Rondônia é concebida como resposta arquitetônica e institucional a uma missão que ultrapassa a operação administrativa. O edifício reforça a presença diversificada da instituição, consolida iniciativas colaborativas e oferece condições para um ecossistema de pequenos negócios resiliente e ambientalmente responsável. A proposta traduz, em matéria construída, a ideia de que o estímulo ao empreendedorismo deve inspirar processos e transformar ambientes, articulando generosidade espacial, eficiência técnica e identidade material.
O partido formal é definido por uma praça central, concebida como átrio público de acesso, convivência e articulação urbana. A partir desse vazio estruturador se organizam dois bolsões de estacionamento, responsáveis por orientar fluxos e acessos. Desses espaços emergem dois blocos programáticos com seu próprio núcleo de circulação vertical: ao norte, a Zona B, dedicada ao atendimento e capacitações; ao sul, a Zona A, destinada aos espaços administrativos. Entre ambas se dispõem os ambientes compartilhados da Zona C, que integram as atividades do conjunto, enquanto as áreas técnicas da Zona D se distribuem conforme as demandas operacionais.
O acesso de veículos dos visitantes é direcionado pela Rua Senador Álvaro Maia, enquanto colaboradores e serviços utilizam a Rua Herbert de Azevedo. O estacionamento dos funcionários é organizado em dois níveis, reservando o térreo às vagas preferenciais e à vaga institucional. Essa organização orienta a concepção de um térreo permeável e ativo. O acesso principal pela Avenida Campos Sales se prolonga até a Rua Júlio de Castilhos, conformando um eixo público que integra o edifício ao entorno. A praça resultante abriga eventos e exposições, constituindo a principal interface pública do Sebrae em Porto Velho.
O programa é estruturado por afinidades de uso, favorecendo a circulação intuitiva. A edificação é aberta e adaptável: varandas, pátios e vazios configuram arenas democráticas de encontro e espaços de troca. Esses vazios também atuam como estratégia passiva de conforto, garantindo sombreamento, dissipação térmica e ventilação cruzada orientada pelos ventos predominantes do sul. As passarelas que conectam os blocos funcionam como extensões das áreas sociais, qualificando a circulação e fortalecendo a integração. Escadas sociais ampliam alternativas de deslocamento e reforçam a continuidade espacial entre pavimentos.
A solução estrutural privilegia o concreto armado pela disponibilidade local, pela mão de obra qualificada e pelo equilíbrio entre economia e robustez. A malha regular de 10,0 × 10,5 m racionaliza vigas, pilares e fundações. Para vencer vãos e garantir compacidade, utilizam-se lajes nervuradas. A materialidade busca coerência territorial e desempenho: a madeira serrada, amplamente disponível na região, é adotada como revestimento principal. Nos estacionamentos, painéis ripados de madeira em malha quadriculada garantem ventilação cruzada e proteção solar; nas coberturas, o mesmo grid modula a luz e sombra e reforça a continuidade arquitetônica.
A articulação entre partido urbano, organização programática, estratégias ambientais, lógica estrutural e materialidade local resulta em uma arquitetura eficiente, clara e comprometida com seu papel público. A nova sede fortalece o empreendedorismo regional, intensifica relações e qualifica o cotidiano urbano – um edifício cívico e perene.


























